Relatos de violência contra a mulher comovem participantes da 9ª edição do Tribuna Jurídica da Esmam


“(...) Alô, é da polícia? É o meu marido. Eu consegui correr, deixei meus dois filhos ali,... eu ‘tou’ toda machucada”. “Moça, ‘tá’ dando briga aqui em casa, o meu pai quer bater na minha na minha mãe. E ‘tá’ ameaçando colocar fogo na casa, vem rápido, pelo amor de Deus”. “Por favor, eu preciso de ajuda. O meu namorado está me agredindo!”. “Moço, eu me acordei, acho que o ex-marido dela... matou a minha sobrinha!”. Esses relatos, comoventes e, infelizmente, verdadeiros, foram apresentados durante a 9ª edição do projeto Tribuna Jurídica, da Escola Superior da Magistratura do Amazonas (Esmam), que discutiu o tema violência contra a mulher, na tarde da última quinta-feira (17), em Manaus.

Os áudios foram extraídos dos atendimentos realizados pela Polícia Militar de Santa Catarina e mostrados a um público formado por magistrados, servidores do Judiciário, advogados, acadêmicos de Direito e outros profissionais interessados nesse tema, no auditório do Centro Administrativo Desembargador José Jesus Ferreira Lopes, anexo ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), no Aleixo. “Eu ouvi esses pedidos de ajuda e me emocionei muito. Só quem passa por isso sabe o sofrimento que é enfrentar esse tipo de situação, não esmorecer e continuar em frente. Temos que contar com ajuda!”, contou uma das participantes do evento que preferiu não se identificar.

De acordo com a juíza de Direito Ana Lorena Gazzineo, titular do 1º Juizado Especializado no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Manaus (1º JEVDFM), também conhecido como Juizado “Maria da Penha”, o Brasil ainda ocupa o 5º lugar no ranking mundial de homicídios praticados contra a mulher. “O Estado do Amazonas está hoje no 3º lugar em femicídios no Brasil, com uma taxa de 6 mortes a cada grupo de 100 mil mulheres, um número superior a média nacional que é de 4,8”, ressaltou.