Defensoria vai propor criação de comitê estadual para prevenção ao suicídio no Amazonas


Relatos de atendimento a estudantes já faixa etária de 13 a 15 anos, depoimentos de mães e familiares sobre a perda de jovens e a afirmação da necessidade de se criar, o mais rápido possível, um comitê intersetorial e interdisciplinar para atuar na prevenção e combate ao suicídio, foram alguns dos principais resultados da primeira audiência pública realizada para discutir o aumento do índice de suicídios, especialmente entre jovens.

Promovida pela Defensoria Pública Especializada na Promoção e Defesa do Direitos Relacionados à Saúde, a audiência pública foi realizada na última segunda-feira, no auditório da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) na rua 24 de Maio, Centro, reunindo mais de 110 pessoas, entre as quais servidores das secretarias de Saúde, Educação, Assistência social e também pessoas ligadas a movimentos sociais preocupados com o crescimento do índice de suicídios, especialmente entre jovens.

“O objetivo da audiência pública foi colher relatos sobre casos concretos que possam instruir os trabalhos da Defensoria Pública e a constituição do comitê que deverá propor ações visando a prevenção”, explicou o defensor público Arlindo Gonçalves, responsável pela Defensoria Especializada na Promoção e Defesa do Direitos Relacionados à Saúde.

Representantes das secretarias municipais e estaduais de Saúde e Educação entregaram relatórios que serão avaliados pela Defensoria Especializada e vão municiar as ações para a formação do comitê, explicou Arlindo Gonçalves.

A psicóloga Ketty Moreira, da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), destacou como um problema sério, a falta de estrutura das unidades de saúde para receber estudantes enfrentando problemas nessa área. De acordo com ela, alguns atendimentos são agendados para quatro meses depois da solicitação, nos Centros de Atendimento Psiquiátricos (CAPS).

A rede de ensino também não está preparada adequadamente, pois conta com um psicólogo para cada zona da cidade. “Isso significa que cada profissional tem um público de 27.170 alunos, além de servidores e professores”, exemplificou.

A professora Vanessa Lima, que trabalha na Escola Antônio Lucena Bittencourt, relatou várias ocorrências de tentativa de suicídio entre os alunos e lamentou que a maioria deles ou não foi percebido com problema ou não recebeu a importância necessária. “Quando o aluno nos procura, já está nas últimas tentativas de pedido de socorro, por isso temos que estar atentas para conversar, acolher e depois encaminhar para uma unidade de tratamento. A questão é que essas unidades estão superlotadas”, desabafou.

Uma adolescente do Grupo Acolhedor, que atua na Escola Antônio Lucena Bittencourt, também fez um depoimento na audiência, informando ter tentado por quatro vezes o suicídio. Ela conta com a ajuda do grupo criado na escola onde já houve casos de suicídios. Outra pessoa disse ser bipolar e não consegue atendimento psicológico na rede estadual para tratar seu problema.

Na audiência, houve a participação da Fundação Nacional do Índio (Funai), pois o índice de suicídio é alto também entre os indígenas de algumas etnias habitantes dos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga e na capital, Manaus. A coordenadora estadual da Rede de Atenção à Promoção da Saúde da fundação, Luciana Diederich, informou ações pela Coordenação de Saúde Mental da Secretaria Estadual de Saúde.

Para o defensor, a questão é de grande magnitude, por isso objetivo do comitê é buscar soluções mediante a união das secretarias de Segurança Pública, Saúde, Educação e Ministério da Saúde. “O propósito inicial é chegarmos a um comprometimento e buscarmos soluções referentes às políticas públicas, para evitar a judicialização. Nesse momento, é mais eficiente buscarmos soluções por meio de comprometimento dos entes públicos presentes na audiência”, finalizou Arlindo Gonçalves.


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